Mais uma manhã quente em Recife, como todas as outras que eu sempre presenciei. Mas essa tinha uma peculiaridade: chuvosa. Ah, só pode ser castigo do quanto eu instiguei o pessoal “ai, vou para o Recife, sou chiquérrima, talz…”. Mas não pensem que isso é o suficiente para estragar minha viagem. O Recife é belo de qualquer maneira!
Meu irmão foi contratado para ser DJ em uma choperia de bacana aqui. Um dos sócios dessa choperia é dono do pub mais bombado daqui. Resultado: meu irmão tem acesso gratuito ao Pub sempre que quiser, pra quem ele quiser. Nesse dia ia ter um show de um pessoal bacana e ele convidou um amigo dele para ir: “Vamos Bola, a gente vai poder cair de beber, minha irmã não bebe e tem carta!”. Pronto, sobrou para mim.
Uma das coisas mais legais foi a sensação de revanche de classe: nós, esculachados, ralés mesmo, entramos pela ala VIP, deixando um monte de patys e boys numa fila embaixo de chuva. Baladinha legal, sonzinho massa. E dá-lhe alccol no meu irmão e no Bola. Até absinto eles tomaram! Não, não dava mesmo para algum deles voltar dirigindo.
Cabe ressaltar neste momento um grande trauma na minha vida: meus pais não deixavam eu pegar o carro assim que eu tirei a carta e eu atrofiei. Então voltar dirigindo estava sendo uma coisa bem peculiar para mim.
“Você se garante no fusquinha Lety?”- me perguntou o Bola.
“Vou tentar.”
Aí começou a emoção. Curvas alucinantes, marcha passada errada, sinais vermelhos passados… tudo até a casa do Bola. “Cara, tua irmã dirigindo o fusquinha é astral.” Bola tolinho, mal sabia ele que com qualquer carro seria assim. Mas estavamos indo tudo bem até chegar a um posto de gasolina (Bola ja estava na casa dele). “Lety, você precisa dar ré até aquela bomba.” LETY, ATÉ AQUELA BOMBA, NÃO NA BOMBA!”. Sim, eu bati na bomba de gasolina!
Confusão, confusão, confusão… voltamos para casa, eu no volante. Quando chegamos, eu desabo no choro:
- Porque eu, porque eu… bua!!!!!!!
-Não se preocupe Lety, tem coisas mais importantes. O minimo que vai acontecer é que eu vou ter que pagar a bomba.
- Mas, buá, eu não quero isso, buá, porque a culpa é da minha mãe, buá….
-Lety, isso não é importante…
Uns 15 minutos de buás seguidos depois.
- Letícia, tem coisa pior na vida do que pagar um estrago.
-Não, não tem não! (as vezes eu sei que tenho apenas 5 anos de idade)
-Tá bom, então não tem. Essa semana eu tenho que ir ao tumulo de meu filho. Você vai comigo?
Soco na boca do estômago. Lety sempre o umbigo do mundo, achando que seus problemas são os únicos que realmente fazem sofrer…
O resto da noite foi só lencinhos, abraços e risinhos. As vezes precisamos apanhar para aprender mesmo.
3 Comentários
Comentários RSS URI identificador do TrackBack
Deixe um comentário

Oi Letícia!!
Acabei de ver seu recadinho pra mim lá no “equilibrador”. Vou deixar meu msn aqui e a gente pode engatar sim uma conversa sobre o assunto se vc quiser.
henri819@hotmail.com
Beijão!!
Nossa Leti, quase mijei de tanto dar risada imaginando vc batendo na bomba de gasolina!!! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!!!!!!! Mas sei o quanto vc ficou tristinha… sabe, que por incrível que pareça passei momentos semelhantes ao seu no sábado? Mas não contarei por aqui, depois te conto o bafão amiga!!!
Beijinhos…
Vivendo e aprendendo.
Quem é viva sempre aparece…e quem é vivo também.